Só queria falar sobre alguns sentimentos, uns e outros. Para que assim eles ganhem materialidade e eu possa vê-los melhor. Sentí-los fora de mim, além. E também para que eles possam tocar um outro, fazer sentido.
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Meu nome é Eduardo, mas, afinal, o que é um nome?
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Terça-feira, Outubro 2
Até quando é possível voltar, regressar, retomar? Quando é que o fio se perde, ou o prumo? Por que insistir, por que desistir?
Melhor não parar nunca. E não ter de pensar nessas coisas. Decidir, escolher, avaliar.
Melhor deixar que a vida e suas coisas sigam seu próprio movimento, ritmo, inércia.
Não pensar no tempo de parar ou recomeçar. Não lutar, não resistir.
Apenas estar aqui, à disposição, espera.
Até que fim seja para sempre, nenhuma pergunta necessária, nenhum recomeço, sequer, imaginado.
6:05 PM
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Sábado, Fevereiro 10
Sou sempre muito simpático aos palestinos, e acho que Israel é definitivamente, o que se poderia chamar um estado terrorista. Mas uma frase de um dirigente do Hamas parece capturar a essência da intolerância e do que talvez devêssemos chamar de fascismo: ¿Não há nada que se chame Israel na realidade ou na imaginação¿.
É exatamente esse o ponto em comum entre todos os ditadores e fãs das formas totalitárias, mesmo as do mercado ou ainda as de esquerda ou direita: eles sempre acham que podem decidir o que cabe na nossa imaginação.
3:05 PM
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Quinta-feira, Janeiro 25
Às vezes, a melhor maneira de saber que você ama uma pessoa é perceber que não há nenhuma razão para isso.
6:26 AM
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Segunda-feira, Janeiro 22
O amor em cinco tempos, de François Ozon.
Uma história de amor contada ao contrário, como se começássemos pela separação e acabássemos no primeiro encontro. Como se fosse possível identificar, com precisão, o momento em que tudo se perdeu ou o instante exato em que os olhos dela o capturaram.
Mas de nada adianta enganar o tempo, ou querer dar-lhe a volta. Pois o amor nunca está ali onde se espera e muitas vezes prefere nos surpreender onde não queremos, ou podemos, encontrá-lo. Com a delicadeza e o vagar de um filme tipicamente francês, econômico, centrado mais nos olhares do que nos gestos, mostrando na tela as palavras que faltam, Ozon nos deixa perceber mais uma vez que o amor quando começa parece ter sempre estado ali, e que quando acaba, de algum modo, ainda pulsa.
11:59 AM
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Terça-feira, Janeiro 16
Ainda que você não me entenda. Ainda que eu não consiga parar de falar. Ainda que não haja nada a ser dito. Ainda que só haja o silêncio para ser ouvido. Ainda que você não esteja mais aqui.
Ainda assim eu estarei. Ainda assim, será preciso dizer alguma coisa.
1:08 PM
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Segunda-feira, Janeiro 15
Inícios que às vezes não se dão. Talvez porque o tempo não dê conta do que se passa, ou do que não pode passar. Talvez porque a realização não seja uma questão de força de vontade, ou decisão. Talvez porque já tenha tudo acabado e você nem percebido que começou.
5:49 PM
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Sábado, Janeiro 6
Tempo de recomeçar.
O que não implica necessariamente grandes gestos ou acontecimentos. Apenas o relógio que completa mais uma volta ou o calendário sobre a mesa que precisa ser substituído.
Entre o receio do inesperado e a tentação do repetir, manda o bom senso que apenas sigamos em frente. Mas será o bom senso o melhor conselheiro para os inícios?
7:33 PM
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Sexta-feira, Dezembro 22
Grandes acontecimentos evitam as palavras. Temem perder-se, ou prender-se, em narrativas. Escondem-se debaixo dos lençóis ou correm para dentro do armário. Pedem o nosso silêncio e nos ameaçam com a sua partida.
Assim, sem desafios ou bravatas, eu, temente a deus, e ao que me possui, mantenho obsequioso silêncio.
2:12 AM
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Segunda-feira, Dezembro 4
Coisas, sentimentos, atos, acontecimentos. Alegria, encontro, despedidas. Idéias, palavras, gestos, silêncios. Poderia por todos numa lista: elementos, detalhes, ocorrências, fatos, pessoas, afetos. Talvez os mesmos, sempre. E, diante dessa constatação, a arte necessária de fazer a lista desdobrar-se, os elementos se reencontrarem ou se perderem.
Como palavras que se transmutam em poemas que tornam possíveis amores que ao se desfazer nos fazem sentir incontáveis coisas que demandam palavras que fazem falta.
4:17 PM
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Quinta-feira, Novembro 23
Não quero contar nada pra ninguém. Saborearei este segredo até que ele se espalhe em meu ventre, circule em minhas veias, alimente meus orgãos.
2:02 AM
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Terça-feira, Novembro 21
Guardar. Certas alegrias com carinho. Respirar profundamente, reter os movimentos, paralisar os pulmões, cheiros, sopros. Fechar os olhos e perder-se nas imagens que ficam no interior. No fundo, nada demais. É a superfície da sua pele que me deixa dentro de mim.
6:02 PM
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Segunda-feira, Novembro 6
Enquanto isso, o orkut insiste: classifique seus amigos. No mundo das trocas, do marketing pessoal e da contabilidade afetiva, nada além disso: pô-los em série, ver quanto vale cada um ou o que eu "posso ganhar na relação", definir uma hierarquia, enfim, tratá-los como objetos.
Seria até mais simples, devo admitir, mas qual é a graça de ser amigo de uma bermuda da osklen?
12:26 AM
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Quarta-feira, Outubro 25
Carência mesmo é quando você abre o e-mail e fica arrasado: nem um spanzinho sequer...
9:06 AM
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Segunda-feira, Outubro 23
Em defesa do princípio de que a oralidade é mesmo a matriz de todas as outras formas de prazer, uma lista imediata de cinco melhores coisas da vida: a comidinha da mamãe, um sabor que só existe em nossa lembrança e nas madeleines do Proust; pão com muita manteiga, mas sem culpa alguma; uma taça de Ruinart Rosé naquelas horas do dia em que não se deveria beber, muito menos champagne; dizer o que estamos sentindo, a qualquer hora; devorar o outro.
4:51 PM
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Sábado, Outubro 21
Quanto vale, qual o preço? O que se pode ter e quanto se pode pagar? A qualquer momento, tais perguntas se misturam como se tratassem todas da mesma coisa, e as respostas fossem também irmãs.
Lembro de uma tarde em Paris e um simpático vendedor que tentava me convencer a pagar cerca de quinze dólares por um lápis preto com uma borracha na ponta. C'est le top, monsieur.
Às vezes, o fato de que temos dinheiro suficiente para comprar algo, não quer dizer que o objeto, desejado, vale o que se pede.
Às vezes, ainda que nos sobre um amor que precisa ser gasto, talvez seja melhor poupá-lo para um outro dia.
Ainda que a propaganda insista, ou desista, e continue em minha alma a pergunta: are you the top, baby?
10:14 AM
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